Carnaval, sem carnaval!

Cadê o fofão

O carnaval atravessa os séculos incólume. Com ou sem pandemia, crise ou desvios financeiros ele continua firme forte e sassariqueiro no Brasil inteiro. Em todos os cantos. Afinal é a festança-símbolo deste país-continente. A danada da folia segue seu destino de colocar o rei na pele de mendigo e o mendigo nas vestes de um rei. Todo mundo dançando conforme a musica. Qualquer que seja a música.

O bom do nosso carnaval é que ele se encaixa bem justo no caráter do brasileiro. Cheio de galhofas, amante das farofas, pronto para os deboches, e se duvidar, ainda pode saborear um brioche.

Em nossa ilha-Capital o alcaide já firmou a pena: nada de desfiles, de passarela, e nem mesmo pra ser visto da janela. A pandemia, assim como o espírito zombeteiro do Fofão, não acabou.

Então, para glória de Dionisio (o Deus, claro!) a folia pode até ser magrela, mas quem duvida que ela vai dar seus esbregues? Nas perifas, nas praias ou nas chiqueiras salas dos condomínios dos barões acasalados. Aliás o carnaval desta nossa esburacada ilha-Capital dá as caras desde o 26 de dezembro, principalmente pelas ruas e ladeiras do bairro carnavalescamente divino: a Madre Deus.

E quem pensa que carnaval é ofensa, blasfêmia das fêmeas, dos machos e todes mais, não custa nada lembrar que o carnaval nunca foi, nem nunca será um festival de profanidades, simplesmente porque nasceu de um ritual divino, o rito está na gênese da festa.

Mas, para este ano, ainda pandêmico, deve-se lembrar ainda mais das máscaras, e não só as carnavalescas. Destas é bom que seja dito que, nos últimos anos, a principal e mais representativa máscara destes nossos ilhéus tem sido escanteada: O Fofão!

Sim, o Fofão, nosso personagem-símbolo já está inaugurando seu nome na lista dos animais em processo de extinção. Por que isso? Porque nesta ilhota magnética e carnavalesca, o colorido e espalhafatoso personagem começa a saltitar pelas ruelas e becos desde o dezembro. E isso, já não tem acontecido mais.

Até o momento, não tenho visto nenhum artista, ou um pequeno grupo destes, aqui de nossa pequenópoles ligar microfones virtuais bradando: Cadê o Fofão? (LR)

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