Cadê os circos?

Artistas querem saber do prefeito de São Luís, Cadê o Circo? - Parada do  Saber

Neste maio de temporais, ligo o computador, de onde salta um grito em forma de post, de importante artista visual de nossa ilhota, cuja obra tem repercussão internacional, que na sua mansidão, pergunta: “Cadê o Salão de Artes Visuais?” ato contínuo, num ímpeto flamejante, enfio um comentário em seu post: ráaaa, será que só sentiram falta do Circo?

Não pude conter inquietante desejo, pois, que incontido, estava instalado desde recente campanha pelos becos desta nossa apequenada ilha-Capital. Na dita cuja, alguns poucos cobravam: “Cadê o Circo?” num tardia referência a um antigo Projeto cultural erguido às margens do Bacanga, na beirada da Porto do Desterro.

Nada contra a campanha, levanto mourão e bandeirola, mas sempre me encafifou não terem os mesmos artistas e alhures, encabeçado tal estandarte anos atrás, diante do escancarado sumidouro da lona, do picadeiro e de todos os seus poucos palhaços, do mesmo Circo.

Igual modo, me deixou reticente e pouco afeito aos apelos, uma vez que desde o fim do “Projeto Circo da Cidade”, posto que nunca foi um órgão da estrutura do município e, como Projeto, sempre funcionou a maus bocados, não vi campanha ou alarde sobre este ou outros fatos culturais igualmente tristes.

Sim, mesmo sendo apenas um Projeto, sustentando-se mal nas próprias pernas, o Circo da Cidade teve lá sua importância e garantiu crachá nas luzes da nossa história cultural recente.

Mas, logicamente sempre existe um mas, outras ações culturais, Projetos, e o mais escandaloso: Por que Equipamentos Culturais, da estrutura administrativa da União, do Estado e do Município, no mesmo período, não nos fustigaram? Por que não ganharam megafones e holofotes, faixas e bandeiras semelhantes, ou como requeriam sua estratégia para Politicas Públicas de Estruturação da Identidade e Formação Cultura de nossa gente, e não só dos ilhéus, mas de todo o estado?

Todos os artistas, os verdadeiros, os próprios e aquela fauna que naturalmente a estes está agregada, compreensível e louvadamente, sabem quais os órgãos que estão numa penúria, entregues ao desmantelo e ao desmonte. Todos os intelectuais deste emaranhado estado sabem quais são e da importância dos órgãos da estrutura administrativa do estado (nas três esferas) e há quanto tempo estão à mingua. E não somente estes, mas também Projetos e Ações igualmente importantes para a nossa Cultura em todo o estado.

A pergunta, sincera e necessária, que se faz é: Por que nunca antes nos reunimos, nos organizamos e bradamos aos quatro ventos sobre tal lastimável e criminosa situação?

Por que permitimos tal descalabro? Por que vez por outra ao ouvir solitário grito de um ou outro artista denunciando uma situação, entre tantas de abandono, destas que se foram avolumando, não fizemos eco, demos as mãos e “cerramos fileira”?

É preciso lembrar que sempre houve uma voz solitária fazendo tais denúncias, a exemplo do escandaloso descumprimento da Lei municipal que determina que o município de São Luís realize, anualmente, o Concurso Literário e Artístico, com premiação em dinheiro, publicação de livros e exposição das obras de Arte vencedoras. Este, apenas um exemplo. A situação de caótica manutenção de Teatros, Galerias, Museus e outros equipamentos culturais da esfera publica, em todos recentes anos não mereciam campanhas semelhantes?

Mais que estandartes, e, sim levantá-los é imprescindível, nós intelectuais, artistas, mutucas e ademais, não deveríamos repensar nosso modo de enxergar o nosso fazer cultural, para poder melhor realizá-lo, sem esquecer que organização, união e vigilância permanentes são indispensáveis para que a nossa identidade seja, enfim, respeitada? (LR)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *