Bacabal (MA) realiza escuta para implementação da Trajetórias de Sucesso Escolar

Durante os dias 25 e 26 de maio, ocorreu o processo de escuta e envolve estudantes, professores, gestores, pais e movimentos sociais a fim de fortalecer a educação quilombola

 Em seu terceiro ciclo de oficinas, a estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar (TSE) Quilombola, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), iniciou na quarta-feira (25) a oficina de diagnóstico, em Bacabal, município do Maranhão. A iniciativa é um marco para o diagnóstico e escuta de povos quilombolas – crianças, adolescentes, jovens, suas famílias e comunidades –, visando garantir o direito à educação e aos direitos inter-relacionados, fundamentais para enfrentar a cultura de fracasso escolar, demonstrada pela análise dos indicadores de reprovação, distorção idade-série e abandono escolar.

Escolas quilombolas da rede estadual de ensino, juntamente com gestores, pais, professores e movimentos sociais, dialogam sobre o fortalecimento na educação quilombola. Nesse contexto, a Secretaria da Educação do Governo do Estado do Maranhão (Seduc), a Secretaria de Estado Extraordinária de Igualdade Racial (Seir), a Coordenação Nacional de Articulação dos Quilombos (Conaq) e o Conselho Estadual de Educação do Maranhão (CEE) se tornaram parceiros do UNICEF na implementação da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar Quilombola, pela qual são fortalecidas as Diretrizes Estaduais para a Qualidade da Educação Quilombola no Maranhão.

Bacabal é o terceiro município do Maranhão que integra o ciclo de oficinas diagnósticas. Também foram realizadas atividades com professores, gestores, famílias, lideranças, adolescentes nos municípios de Itapecuru-Mirim e Pinheiro, que já realizaram o processo de escuta, nessa primeira fase, que contou com 250 participantes. “Essa é a principal e mais importante estratégia de nosso programa no momento no Maranhão focada em populações tradicionais. A iniciativa Trajetórias de Sucesso Escolar Quilombola implica um diálogo direto com estudantes, professores, gestores, família, e líderes dos movimentos quilombolas para que eles informem aos gestores de educação no Maranhão qual é a educação que eles querem e que faz sentido para seus projetos de vida. Com esse diagnóstico, avançamos um passo a mais para garantir direitos de crianças e adolescentes quilombolas na educação e nas demais políticas públicas”, esclarece Angelo Damas, especialista em Educação e Proteção do UNICEF no Maranhão.

Na escuta para a garantia da qualidade na educação quilombola, a Seduc, por meio da Supervisão de Modalidades e Diversidades Educacionais (Supemde), participou dos diálogos, pois desenvolve conjuntamente com o UNICEF a implementação das Diretrizes Curriculares Estaduais para a Qualidade da Educação Escolar Quilombola na Educação Básica. “Temos potencializado as discussões acerca da educação para as populações quilombolas a partir da estruturação do currículo que dialogue com os interesses dessas comunidades para o oferta de ensino de qualidade. Temos avançado, em parceria com o UNICEF, no fortalecimento de estratégias que deem emancipação para as escolas e estudantes nos contextos sociais, culturais, sobretudo, educacionais. Agora, na TSE Quilombola, temos uma ferramenta para avaliar quais pontos a gente pode melhorar no nosso atendimento e quais as garantias que vamos ofertar para os professores e estudantes, em uma perspectiva de um currículo que combata o racismo e se amplie para a rede”, afirma Jocenilson Costa, supervisor de Modalidades e Diversidades Educacionais da Seduc.

O evento em Bacabal ocorreu até quinta-feira (26) e, nessa oportunidade, a aluna do primeiro ano do ensino médio do quilombo de Piratininga Raquel Nascimento declara que as discussões sobre a educação quilombola foram importantes. “Foi muito importante discutir sobre esses assuntos, pois foi quando cheguei à escola que comecei a me ver como quilombola”, informa a estudante.

As etapas da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar
Trajetórias de Sucesso Escolar é parte da Campanha Fora da Escola Não Pode, juntamente com a Busca Ativa Escolar. Essa estratégia considera que a complexidade do problema do fracasso escolar e da distorção idade-série e abandono exige ações integradas em três níveis de gestão: das redes, da escola e da sala de aula. Nessa iniciativa, existem quatro etapas do processo de criação de uma proposta que atenda esses sujeitos (crianças e adolescentes em distorção idade-série). Apesar de descritas individualmente, essas etapas são complementares e interligadas, como também são interdependentes da atuação de todos os segmentos. Assim, definem-se como etapas: 1) Diagnóstico: etapa inicial do processo que busca visualizar e compreender a situação da rede em relação à distorção idade-série; 2) Planejamento: tem como foco organizar as ações que serão implementadas para realizar a etapa; 3) Adesão: etapa de convencimento em que os atores do processo são sensibilizados e mobilizados para a efetivação da proposta; 4) Desenvolvimento: etapa em que se finaliza a elaboração e se implementam as propostas.

Além das taxas de distorção e índices de abandono e reprovação, o site Trajetórias de Sucesso Escolar disponibiliza recortes por gênero, raça e localidade que mostram as relações entre o atraso escolar e as desigualdades brasileiras.

Fonte: Unicef

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