A eleição de 2022 será uma ópera, escreve Nizan Guanaes…

POR NIZAN GUANAES

Eu não entendo de política. Mas eu entendo de povo. Minha vida profissional é ler o povo. E isso não vem de hoje. Eu não aprendi na PUC (Pontifícia Universidade Católica).

Eu nasci no Pelourinho, no coração do povo. Meu pai nasceu no sertão da Bahia, trabalhou como ascensorista. Meu avô era líder sindical filiado ao Partidão. Fui locutor de rádio, sou baiano. Isso tudo não tem nada de folclórico. Essa coisa raiz faz com que a Bahia seja um celeiro criativo com alta capacidade de conexão.

Isto posto, lhe digo: esta eleição será digna de “Game of Thrones”.

Lula é uma ópera. Eu não sou petista, mas eu ouço a música dele (já ouviu “Imagina Lula Lá?”) e choro. 

Bolsonaro é outra ópera. Sem qualquer juízo de valor, vejo como eles arrebatam multidões.

A eleição de FHC foi uma decisão racional (“Ele fez o real, vou pensar com meu bolso”). Mitterrand fez uma campanha na França com o seguinte posicionamento: “A mudança tranquila”.

Mas 2022 será “Guerra nas Estrelas” com reality show. E isso não significa marquetagem. Significa o calor desses tempos. Não dá para, no meio dessas duas vir com música de elevador.

O meio é a mensagem. Óbvio que existem as circunstâncias, a construção política, a variável e a variante. Mas essa será a mais popular das eleições.

Não existe mais horário eleitoral: ele já começou. Ele é digital, é zap, é fake, é meme. A política precisa entender isso.

E para eleger as bancadas que precisam, os partidos têm que fazer antes de tudo aliança com a realidade emocional do Brasil. O mundo é não binário. O voto será poliamoroso. Está será a eleição de Wagner e de Verdi. Pode escrever….

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